Entrevistamos o judoca Marcelo Contini –  atleta da Seleção Brasileira de Judô, que nos contou sobre a sua trajetória, conquistas e a sua expectativa em participar dos Jogos Olímpicos 2016.

No post anterior, você ficou por dentro da história do judô, de como esta modalidade que nasceu no Japão chegou até o Brasil e como este esporte é praticado.

Nós mesmo post, nós prometemos uma entrevista com o atleta da Seleção Brasileira de Judô, Marcelo Garcia Contini, que está na disputa por uma vaga na categoria de peso médio (até 73kg), nos Jogos Olímpicos 2016. E como promessa é dívida, a gente demorou um pouquinho a mais do que o planejado para publicar o resultado deste bate-papo, mas hoje você confere a trajetória deste judoca que promete muitas emoções para o Brasil!

A trajetória do judoca Marcelo Contini

Marcelo Garcia Contini tem 26 anos, mora em São Paulo e começou a treinar judô muito cedo, aos quatro anos, quando ainda morava em Belo Horizonte. Começou no judô por incentivo de seus pais e vendo o irmão mais velho praticar o esporte. Aos seis anos, Marcelo começou a competir e ganhar alguns campeonatos e aí, não parou mais. Em 2005, quando teve seu primeiro título profissional como Campeão Panamericano Juvenil viu que poderia ir ainda mais longe.

Foi depois deste título, em 2005, que seu Sensei de Peruíbe, Amauri, falou que ele deveria participar do Projeto Futuro, em São Paulo. O Projeto Futuro foi criado em 1984, por iniciativa do governo do estado, e oferecia treinamento para o desenvolvimento técnico, físico e psicológico, a judocas da categoria juvenil, além de moradia, alimentação, assistência médica e educação. Marcelo Contini participou deste projeto durante cinco anos e meio, quando começou a conquistar alguns títulos, ganhar destaque e no final de 2008 já fazia parte da Seleção Brasileira Júnior de Judô. Depois, entrou para a Seleção principal, que está até hoje.

Mas, engana-se quem pensa que o percurso do judoca Marcelo Contini no esporte foi fácil e feito apenas de louros. Ele conta que passou por vários momentos difíceis, como três cirurgias no joelho, sendo a primeira aos 12 anos de idade. E mesmo assim ele não reclama, não! Marcelo afirma que um dos grandes ensinamentos do judô na sua vida foi a superação: “A gente treina, treina, treina, chega lá e perde. Você levanta a cabeça, segue em frente. Depois você tem uma conquista. Então é a parte da superação, de não se entregar jamais.’, diz ele.

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Marcelo Contini em suas disputas e conquistas

O judoca Marcelo Contini  considera como suas principais vitórias no judô as três medalhas conquistadas em Grand Slams: ouro, em 2012, no Brasil; bronze, em 2013, em Baku (capital do Azerbaijão); e prata, em 2014, no Grand Slam de Tyumen (Sibéria-Rússia). Ele também gosta muito da conquista de um bronze, no University – que é como uma Olimpíada Universitária, em 2011, na China.

Ele diz que todas estas conquistas foram muito emocionantes, mas o que ele considera ser ainda mais importante acontece fora dos tatames: “[…] o mais legal envolvendo o judô, óbvio que na competição é uma emoção inexplicável, mas fora da competição, quando você vai em algum lugar, como os projetos sociais, a emoção que você tem das crianças te olhando como um ídolo, esse reconhecimento do seu trabalho. É aí que você vê que você pode fazer diferença e algo para ajudar. E isso eu acho que não tem preço!”

Carreira e projetos futuros no judô

Os projetos do judoca Marcelo Contini ainda estão voltados à competição, por pelo menos quatro, cinco anos. Depois disso, ele diz que sempre sonhou em ajudar as pessoas e pretende fazer algo relacionado a um projeto social dele ou apoiar algum que já exista. “[…]eu acho uma coisa maravilhosa, acho um privilégio o judô ou qualquer esporte mudar a vida de uma pessoa, de uma criança.”

Hoje, há muitos projetos sociais envolvendo o judô e outros esportes que vêm transformando a vida de muitas pessoas. Um destes projetos é a Associação Amigos do Vila Rica, em São Paulo. O projeto teve início em 2007, por iniciativa do judoca e empresário Diogo Castilho. O empresário, que começou a treinar judô ainda criança, teve como sensei Hiroshy Yamamoto, um dos primeiros kodanshas do Brasil.

A ideia de ensinar judô às crianças surgiu durante uma visita de Diogo ao abrigo, quando participava de um Grupo de Jovens da Igreja. Com o passar do tempo e após seu casamento, Diogo e a sua esposa, Diuly Stival Castilho, começaram a ver os resultados positivos e a necessidade de ampliar o projeto.

Hoje, o projeto Amigos do Vila Rica atende a 20 crianças que moram no abrigo e mais de 120 que treinam na Associação. Os treinos são praticados cinco vezes por semana,  sendo três vezes na Associação e duas vezes na própria casa. Diogo conta que o projeto não se limita apenas às atividades ligadas ao judô, não! “[…] Além das aulas de judô, levamos as crianças que estão se destacando nos tatames, com boas notas na escola e comprometimento para o cinema, teatro, parques, restaurantes entre outras atividades.”, diz ele.

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Projeto sociais, como da Associação Amigos do Vila Rica vêm transformando a vida de muitas crianças!

Sobre a ajuda e a participação de outros atletas no projeto Associação Amigos do Vila Rica, Diogo conta que recebe apoio e incentivo de grandes amigos da Seleção Brasileira: “[…]Temos a sorte de ter grandes amigos atletas da Seleção Brasileira que quando estão no Brasil treinam junto com as crianças, levam também camisetas e kimonos  para presenteá-las.”, diz Diogo.

O maior orgulho do empresário em ensinar o judô às crianças é que através do esporte, elas aprendem a ter disciplina e lutar pelos seus sonhos! E quando o assunto é sobre qual a maior recompensa em ter fundado e participar do projeto, ele logo diz: “[…] é o sorriso das crianças. Saber que estamos ajudando positivamente o futuro delas, plantando sementinhas do bem.”

O judoca Marcelo Contini, que já foi ao abrigo e conhece o projeto da Associação Amigos dao Vila Rica se diz fã de Diogo e sua esposa, Diuly, coordenadores e voluntários do projeto. “Com tão pouco, eu diria quase nada de recurso, eles estão há quase nove anos com este projeto, mudando a vida das crianças de tal maneira que é emocionante de se ver! Eu espero um dia, se Deus quiser com uma medalha bem importante, poder mudar a vida das crianças com um projeto e poder ajudar as pessoas.”

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Falando sobre as Olimpíadas 2016

Nos Jogos Olímpico Rio 2016, o Brasil terá apenas um representante na categoria  peso médio (73kg), a qual o judoca Marcelo Contini pertence. A classificação vai depender da posição de cada atleta no ranking da FIJ (Fundação Internacional de Judô). Marcelo disputa a vaga com o judoca Alex Pombo, mas conta que está confiante, já que em 2016 obteve bons resultados.

Ele conta que participou de quatro competições em que conquistou duas medalhas, disputou uma medalha no Grand Prix e acabou ficando em quinto lugar. “Ainda estou na briga, eu sei que eu estou em um ótimo momento e dando o meu melhor. Em todas as competições que eu for, se eu continuar lutando como estou, vou subir no pódio e a vaga vai ser minha.”

E quando o assunto é a pressão com relação aos resultados nas Olimpíadas, o judoca Marcelo Contini diz lidar bem com isso, já que a pressão sempre existiu no esporte de alto rendimento e acredita que os atletas estão muito bem preparados para isso. “[…]Todos os resultados que o judô teve sempre foi sob pressão e acredito que estar no Brasil, na realidade vai transformar esta pressão em uma força muito grande. A torcida vai ser aquele diferencial para todos nós no Brasil”, diz ele.

Amigos, amigos, medalhas à parte?

Mesmo disputando muitas vezes entre colegas e amigos, uma vaga nas Olimpíadas, por exemplo, Marcelo conta que a equipe da Seleção Brasileira de Judô é muito unida. Os atletas passam muito tempo juntos, treinando e viajando e todo mundo acaba se tornando amigo. “[…]Mesmo entre as categorias, as disputas acabam ficando dentro do tatame. Fora do tatame, todo mundo consegue ter um bom convívio, sempre com muita brincadeira, todo mundo bem amigo.”

E dentre as amizades que Marcelo leva para fora dos tatames estão os judocas Leandro Guilhero e Charles Chibana, que são amigos e companheiros de treino de Marcelo, no Clube Pinheiros. E ainda tem os judocas que ele acaba convivendo mais quando está na Seleção, como Mayra Aguiar e Luciano Correa. “[…]convivo muito com eles e todos são meus ídolos. Leandro duas medalhas olímpicas, medalha em mundial, Luciano campeão mundial, Mayra medalha Olímpica e mundial. Enfim, eu me espelho com certeza neles e acho que desses quatro nomes, os que estiverem na olimpíada, têm chance de medalha.”, diz Marcelo.

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Judocas que já garantiram o seu Porta Medalhas: Leandro Guilhero, Charles Chibana, Mayra Aguiar e Luciano Correa.

Preparação para as Olimpíadas: “O vencedor não é feito no dia”

O judoca Marcelo Contini considera determinante para ser um vencedor em uma Olimpíada estar 100% preparado em todos os aspectos, feliz e totalmente focado, com muita vontade, mas sem esquecer da preparação.

“[…]O vencedor não é feito no dia. Com certeza ele já chega preparado para aquele momento e esta preparação requer cuidados e detalhes em todos os aspectos. Não só o judô, mas extra tatame tudo tem que estar em equilíbrio. E aí sim, no dia, você fazer o seu dia, dar o melhor do melhor e buscar a medalha de ouro.”

E a dica para quem está começando a treinar e sonha em ser um grande judoca, Marcelo afirma que o percurso não é fácil e para quem realmente quer, é necessário persistir. “[…] Todos os vencedores perderam muito e ainda perdem, só que a diferença é que eles não desistiram e treinaram muito. Então acho que quem chegar e realmente sonha tem que treinar todo dia, com muita vontade e determinação que tudo vai acontecendo.”

 Imagens: Esporte Olímpico Brasileiro; Revista Budo; Scania; gettyimages.

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