De quase sedentário a um dos carregadores da tocha Olímpica e maratonista de desafios extremos. Conheça a incrível trajetória de Marcelo Alves.

Como nós havíamos comentado (e prometido) aqui no blog do Porta Medalhas – na publicação sobre a passagem da tocha Olímpica no Brasil, no post desta semana você confere uma entrevista com o maratonista Marcelo Alves, um dos carregadores da Tocha Olímpica aqui em Curitiba.

Quando recebeu o convite para carregar a Tocha Olímpica, Marcelo conta que ficou um pouco apreensivo com o movimento que estava rolando contra as Olimpíadas, mas que por conta da tocha ter todo um significado, uma história, a questão de unir os povos, fazer parte deste momento foi  muito emocionante. “Foi perfeito, o meu trecho foi no Parque Barigui, o dia estava lindo, com muito sol, muitas crianças, famílias. Participar deste momento, mesmo que timidamente, foi incrível”, relata o maratonista.

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Mas para quem o conhece e sabe por todos os lugares inóspitos por onde Marcelo Alves passou e as distâncias que já percorreu, seja no deserto, na neve ou até mesmo na selva, não consegue acreditar que até pouco tempo atrás, ele poderia ser considerado apenas um atleta de final de semana.

De quase sedentário a um dos carregadores da tocha Olímpica, muito se passou entre estes momentos de vida tão distintos. Foram muitos sonhos, planejamento, ideais, desafio, adversidades, suor, garra, vontade, e acima de tudo a certeza ao olhar para trás e ver que tudo valeu muito a pena.

Maratonista Marcelo Alves, prazer!

Marcelo Alves conta que sempre gostou de esportes, mas de uma maneira amadora. Ele jogava futebol, vôlei, mas sempre aquela coisa de brincar com os amigos, nada muito sério. Em 2006, quando sua filha Sophia nasceu, ele deu uma relaxada na prática de esportes. Mais ou menos no final de 2009, quando viu que estava acima do peso, ele voltou a correr para recuperar a forma física e sair do sedentarismo. E para não correr o risco de desmotivar das corridas, resolveu fazer a sua primeira maratona, no início de 2010. “[…]A minha primeira maratona foi aquele Desafio do Pateta, em Orlando, na Disney, que é uma meia maratona no sábado e uma maratona no domingo”, conta ele.

Só uma maratona e meia, assim, de cara? Nada mal para um primeiro desafio, hein? rs.

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Antártida, o sonho que virou um desafio extremo

Um dos sonhos do maratonista Marcelo Alves sempre foi de conhecer a Antártida e quando soube que havia uma maratona que era realizada lá, a Antartic Ice Marathon, não pensou duas vezes em unir o útil ao agradável. Iniciou o planejamento físico e financeiro um ano e meio antes do seu primeiro desafio extremo, que aconteceu em 2012,

Ele conta que começou a treinar com um preparador físico, que fazia o seu planejamento de treino e fez todos os exames que deveria fazer. Como não havia muito material e nem referências sobre este desafio na Antártida, ainda mais aqui no Brasil, onde praticamente não há neve e treinar no gelo é algo impossível, o maratonista Marcelo Alves partiu para um trabalho de pesquisa. “[…] Pesquisei todas as pessoas que já tinham corrido lá, entrei no Facebook, adicionei muita gente, alguns aceitaram, outros não, e fui conversando com outros atletas e pegando dicas, até eu chegar no que eu considerava que mais se aproximava para mim de correr na neve, que era treinar na areia”, diz Marcelo.

Mas, como treinar para uma maratona na areia,  justamente em Curitiba? “Consegui uma autorização do Jockey Clube, depois que um amigo perguntou porque eu não treinava lá, já que estava procurando um lugar que tivesse muita areia”, conta Marcelo Alves. Ele lembra que nos dias em que os cavalos não treinavam, ele aparecia por lá para correr em uma pista de apenas um quilômetro. Começou correndo quatro quilômetros e foi aumentando gradativamente, durante seis meses, o que ele considera ter sido fundamental para a sua preparação antes da prova.

Bom, planejamento e treinos executados, malas prontas, Antártida, aí vou eu! Marcelo conta que o que mais o ajudou a chegar confiante na prova foi todo o planejamento e preparação antes da prova. “[…] Como eu me preparei, eu já sabia o que eu iria encontra lá, então quando você chega é meio que um momento de contemplação, que você já se preparou para aquilo. E por não ser um atleta profissional, não tenho essa pressão pela performance. Quero acabar de forma digna, mas dentro da minha realidade.”

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Gratidão também fez parte do planejamento

E não foi apenas a preparação física e planejamento estratégico que fizeram parte da preparação para a viagem dos sonhos de  Marcelo Alves. De alguma forma, ele sentia que tinha que agradecer por tudo de bom que estava acontecendo em sua vida. “[…] Eu estava em um momento muito feliz da minha vida, que tudo estava dando certo. E eu sempre tive um conceito muito forte, uma coisa de família mesmo, que é o sentimento de gratidão. Então eu sentia que eu tinha que agradecer a Deus, ao universo, que só estava tendo alegrias na minha vida, que eu estava realizando um sonho e eu tinha que ajudar de alguma forma”, conta ele.

Foi quando ele recebeu um vídeo pelo Facebook, chamado Stronger, da cantora Kelly Clarkson, produzido pelo Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba, que retrata a luta das crianças em tratamento para vencer o câncer. O maratonista Marcelo Alves conta que como a letra da música é bem motivadora, no vídeo as crianças estavam dançando e sorrindo e que aquilo chamou a sua atenção.

Ele então entrou em contato com o Hospital e foi fazer a doação de sangue e entender mais sobre o projeto. “[…] Quando estava lá, encontrei com a diretora de marketing do hospital, que tinha feito o vídeo, aquela coisa de sincronicidade do universo. Conversei com ela, falei sobre a prova que iria participar, que tem uma repercussão internacional muito grande, e ela me explicou que quando você se torna um doador de medula óssea, o cadastro é valido para o mundo todo. Ou seja, você pode salvar uma vida em qualquer lugar do mundo.”

Pronto, foi o que bastou para ele abraçar a causa e levantar a bandeira de apoio à doação de medula, uma forma de agradecer por tudo de bom que estava acontecendo em sua vida.

Novos desafios extremos

E depois da Ice Matathon, na Antártida, várias outros convites surgiram, por conta do networking que Marcelo Alves fez ao conhecer pessoas do mundo todo que participam de desafios extremos. “[…] Então a minha vida virou uma loucura e eu acabei indo para o Polo Norte, para o Everest, Amazônia, deserto, enfim, várias provas que surgiram até que no ano passado, eu recebi um convite para participar da prova World Marathon Challenge“.

A prova consiste  em correr 7 maratonas, em 7 dias consecutivos, nos 7 continentes. Os corredores partiram da Antártida, passaram pelo Chile na América do Sul, Miami na América do Norte, Madri na Europa, Dubai na Ásia, Marrocos na África e Sidney na Oceania e Marcelo foi o primeiro sulamericano a completar a prova.

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Sobre a maior dificuldade encontrada nesta prova, o maratonista Marcelo Alves diz que um dos maiores desafios com certeza foi o fator recuperação, já que correr uma maratona e ter que se recuperar em um avião, é completamente diferente! “[…] O lance do jet lag, muita gente já ouviu falar, mas não sabe o que é. Nós ficamos lesados depois de uma viagem porque a cabine é pressurizada, mas não no nível do mar, é como se você estivesse em uma montanha de três mil metros. Então, por isso que quanto mais longo um voo, mais lesado você fica, porque falta oxigênio.”

Resumo da ópera para quem participou do desafio, foi a mesma coisa que correr uma maratona e subir uma montanha de três mil metros para descansar. Tá bom pra você?

A palavra de ordem é: planejamento!

“O planejamento para realizar uma prova de desafio extremo é fundamental, é ele que te deixa forte. Não é que eu nasci confiante, mas você fazer a lição de casa certinho, faz toda a diferença para que você se sinta seguro”, afirma o maratonista Marcelo Alves.

Sobre a prova mais marcante que já participou, ele não se arrisca a escolher apenas uma, já que isso, segundo ele, é muito relativo. “São tantos lugares, muitos deles inóspitos que eu nunca imaginei conhecer na minha vida, como o Everest, que foi uma prova fantástica. Então são experiências tão únicas que eu não me arrisco a citar uma como a mais marcante.”

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Marcelo Alves na maratona da Noite Polar, em Svalbard, na Noruega, tendo como companheira a aurora boreal.

E para quem está aguardando a próxima aventura extrema do maratonista Marcelo Alves, ela já tem data marcada para acontecer, no dia 03 de janeiro de 2017. Mas, desta vez, ele resolveu diversificar e ao invés de uma maratona extrema vai subir o Aconcágua, Argentina, o que também não deixa de ser um superdesafio!

E quanto aos novos desafios extremos, Marcelo já tem a sua “Wish List’ pronta! “Tem uma prova que me fascina muito que é a Maratona do Saara, no deserto, mas é um a prova difícil, de 250 km. E tem outra prova também, que é uma maratona no Machu Picchu, que é feita com o ar rarefeito, muitas montanhas. Enfim, ainda tem algumas provas, a lista é grande”, revela o maratonista.

Motivação e dicas para quem quer desafios extremos

Sobre o que o impulsiona durante as maratonas, o maratonista Marcelo Alves conta que são tantas motivações, já que as maratonas são longas, horas e horas para pensar em muita coisa, mas ao mesmo tempo é preciso estar concentrado. “Você pensa na família, nos amigos, em quem participou daquele projeto todo, o lance das crianças do Stronger também é muito forte. Faz parte do treinamento isso também, você ter uma estratégia mental e se distrair para você não ficar pensando somente na dureza mental que você está passando”, conta ele.

E para quem está fascinado com este mundo de desafios extremos e pensa em se arriscar em algumas aventuras, a dica de Marcelo é começar a pesquisar sobre o assunto, sobre o desafio que tem vontade de fazer. “Uma coisa é querer, mas quando você começa a pesquisar, começa a entender de verdade as dificuldades. E se mesmo entendo você continua com vontade, o próximo passo é fazer planejamento”, afirma o maratonista.

Segundo o maratonista Marcelo Alves, para quem se dedica e faz um bom planejamento, já começa a realizar e a correr a prova anos antes. Para ele, a prova em si é apenas o fechamento de um ciclo em que a largada já foi há muito tempo.

Aventuras relatadas em livros

Assim que iniciou o trabalho de pesquisa para o seu primeiro desafio, a Antartic Ice Marathon, em 2012, o maratonista Marcelo Alves abriu um documento no Word e começou a escrever sobre tudo, qual tênis usar, o material necessário e o mesmo aconteceu na prova do Polo Norte, em 2013. Quando ele se deu conta, tinha mais de 200 páginas escritas sobre as suas aventuras.

E foi conversando com uma escritora, que é amiga de sua esposa, ele mencionou que tinha este material, mas não tinha coragem de lançar porque eram apenas suas memórias escritas. “Mas nós conversamos e o livro Extremos foi escrito a quatro mãos. Foi um processo muito legal que durou mais ou menos um ano e pouco, onde eu revivi minhas aventuras e transformei este diário em um livro“, conta o maratonista.

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E Marcelo já embarcou em um novo projeto editorial, o qual ele diz ser a menina dos olhos. O projeto “8 cantos do mundo”, que são os sete continentes, mais o Polo Norte, vai ser uma coleção de oito volumes para o público infantil. Os livros serão escritos por alguns escritores já selecionados por Marcelo, alguns nomes conhecidos do Paraná, como Elói Zanetti. “[…]Cada escritor vai escolher um continente e vai ser baseado nos meus desafios e por onde passei, através de um personagem que vai falar sobre a fauna, a flora, os costumes, enfim, algo para motivar as crianças a conhecer o mundo, a fazer esportes“, diz orgulhoso o maratonista Marcelo Alves.

A decisão de publicar um livro para o público infantil surgiu depois do lançamento do seu primeiro livro, Extremos, em que recebeu muitos feedbacks de filhos de corredores que leram e gostaram. “Acho legal de minha parte poder deixar este legado para as crianças, esta sementinha do bem”, afirma ele.

Ah, vai, é muita inspiração para um post só, não é verdade? A lição que fica depois de ler esta entrevista inspiradora é de sempre lutarmos pelos nossos sonhos, por mais surreais que possam parecer. Com muito planejamento e garra é possível realizá-los, sim!

E você, se animou para realizar algum desafio extremo que sempre sonhou? Conte para gente nos comentários, vamos adorar saber!

Com informações e imagens: http://marceloalves.esp.br/

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